Eu acho que as pessoas estão perdendo o bom senso. Dia desses fui num shopping e entrei numa loja, essa coisa urbana que muitos fazem, nós, terráqueos dessa civilização moderna, século XXI, 2017, etc, etc.

Provei uma sandália e olhei uma bolsa, sem que visse, a vendedora pegou a rasteira que eu estava usando e guardou-a numa sacola (esse calçado foi comprado nessa mesma loja em época de liquidação).

-Como pode, um vestido tão bonito desse com uma rasteira? ( eu estava com um vestido que marca a cintura, caimento solto, na altura do joelho, estampa de tulipas amarelas, um dos meus favoritos).

-Ando muito a pé. Ela não sabe das minhas caminhadas filosóficas e peripatéticas e que ir aos lugares sem precisar dos pneus de carro ou dos ônibus é um dos meus hobbies; nada contra o uso desses meios de transporte, mas se o lugar é perto, não dispenso pernas e pés. A sandália era cara e não quis comprar. Acho absurdo certos preços que colocam nas mercadorias.

Dei essa resposta para ser educada, mas não gostei primeiro, dela ter guardado minha sandália, como se eu fosse sair da loja com a outra e segundo, dispenso o pitaco no figurino. Tem dias em que estou para salto e em outros uma havaiana é excelente companhia, desde aquela das corrente azuis, nos tempos em que eu calçava nº 24.

Mas veio a outra cena, perguntei o preço da bolsa:

-Gostei, mas é muito cara

-Nesse preço que você falou, só de pano. De couro você não vai achar.

Coincidência ou não, eu estava usando uma bolsa de tecido, mochilas desse material, são práticas, econômicas e passam despercebidas pelos assaltantes, dizem os estudiosos de segurança pública. As minhas são herança dos tempos de faculdade e dos congressos de Psicologia.

É hora de ir, pensei. Até a próxima liquidação ou até nunca mais.