A palavra ritual carrega um significado patológico e associado a aspectos negativos, ou meramente repetições desnecessárias, porém em sua essência o ritual é o conjunto de gestos e palavras, utilizados de maneira simbólica para que a mente acredite no que esta fazendo, é isso que nos diz o dicionário.

Ao ler essa definição, me veio imediatamente a reflexão sobre o estado de presença, pois é necessário estar presente para que a mente acredite no que está fazendo.

Um ritual de café da manhã, pode começar por cheirar o pó do café, depois ligar o fogo, colocar o café e a água na cafeteira italiana, esperar ferver a mistura e vê-la sair aos poucos pela parte superior, onde tem uma pequena abertura. Tudo isso envolve tempo e espera na fabricação da bebida que é uma boa companhia.

Preparar um pão assado, envolve pegar a manteiga, o queijo e depois de alguns minutos na alquimia da cozinha, esses elementos saem do forno transformados, o pão fica dourado e crocante e o queijo deixou de ser sólido e passa a ser cremoso.

É sobre sutilezas e um pulso de vida numa frequência mais branda, ritualizar é o contrário de acelerar, pois cada pequeno detalhe compõe a ação, que pode ser acordar, trabalhar, caminhar, ver um filme, dormir...

E você, já parou para pensar quantos detalhes simbólicos cabem numa simples ação diária? e como eles podem trazer mais sentido aos dias?

Por mais rituais criativos no nosso dia a dia, sim, porque ritualizar também pode ser um modo de regar, crescer e florescer a criatividade que nos habita.

* Na foto que está nessa crônica, muitos rituais: abrir a cancela, estar na frente de casa, lugar de chegadas e partidas, Angico que permanece em mim, lugar encantado no sertão, eterno e sagrado.