Avenida Dantas Barreto, centro da cidade-afeto, num de seus edifícios, do sexto andar avistam-se imagens, que despertam o impulso narrativo: O vento bate na pele e uma leve vertigem toma conta ao olhar para baixo, coisa de quem está sobre vigas e colunas há muitos metros acima do chão. Estar num prédio antigo, faz pensar em como era essa paisagem, há décadas atrás.

Da varanda com vista para o mundo, vê-se os transeuntes, pessoas anônimas, algumas voltando para suas casas, depois de um dia de trabalho, pegam o ônibus e seguem seu itinerário-rotina. Outras parecem morar ali mesmo, talvez durmam em alguma rua próxima.

Os metros acima do solo, permitem enxergar a nave central do Palácio da Justiça e as torres das igrejas do tempo barroco. Também desponta um prédio branco com andares que os olhos se esforçam para alcançar, aumentando a sensação de sou pequena no mundo. Essa construção de cimento, areia, tijolos e ferro "tapa" uma parte vista. É comum esse tipo de obra atrapalhar a visão para as coisas do mundo.

Observa os personagens da Praça do Diário, os tipos característicos daquele lugar, pessoas simples, de vários bairros da cidade: o senhor de pernas cruzadas, a mulher com a criança no colo, os pregadores de igreja, os vendedores de bolsas, os porteiros dos edifícios na praça. São tantos.
No lado oeste, as luzes em Olinda, dizendo que era noite. Antigamente, os lampiões davam esse aviso.

A outra varanda do prédio, reserva uma surpresa: a vista para a Praça do Sebo, as lojas estão fechadas, não é mais horário comercial. Surge uma árvore, uma velha moradora, alta, tronco firme, galhos se esparramando e tomando conta do cenário. Quisera desfrutar de sua companhia para ler um jornal, embaixo dos bancos que abrigava. Programa para um dia de domingo ou uma pausa na semana. Também vê-se uma estátua, não consegue identificar quem é, possivelmente seria de algum escritor ou figura importante na história da cidade. Dias depois, descobre que é Mauro Mota, poeta pernambucano que fala sobre Recife em seus versos.
Ao lado da praça do Sebo, tocam músicas nos bares, o happy-hour da sexta feira continua como em todos os anos e as pessoas conversam.

O fim-de-semana está chegando.