Da janela lateral, do quarto de dormir, vejo uma igreja, um sinal de glória, vejo um muro branco e um vôo pássaro, vejo uma grade e um velho sinal (Lô Borges e Fernando Brant, Clube da Esquina)

O que é que Ouro Preto tem?

Tem casas de doze janelas,
Estudantes a cantar...
Tem saudades e fantasmas,
Ouro por todo lugar.
Tem santos de pedra- sabão,
Calçadas de escorregar [...] Cecília Meireles

Fim de tarde, o amarelo-crepúsculo invadia as casas fincadas na montanha, que pareciam estar ali, desde sempre. A temperatura começou a baixar e veio o frio que nasce nos altos e é carregado pelo ar até tocar a pele. A cena era uma aquarela para os meus olhos e essa é a primeira imagem que me vem quando penso nessa cidade das Minas Geraes.
Esse canto do mundo agrega montes, casas velhas, ruas históricas e um clima barroco. Foi encantamento na primeira pisada e a sensação de que o tempo não passou.

O ônibus chegou a Ouro Preto, perto do meio dia e eu fiquei na rodoviária, com construção inspirada na arquitetura colonial. Esperei o ônibus que ia à Mariana, cidade vizinha, queria conhecê-la e voltar de trem para Ouro Preto. Aquela foi a minha primeira viagem de trem, não era uma Maria Fumaça, como eu queria, mas estava bom para um começo. Sentei ao lado da janela e deixei os olhos e sentidos bem abertos para as paisagens: trilhos, plantas e uma queda d’água perdida no caminho.

Chegando a Ouro Preto, um passeio a pé, pelas ruas de paralelepípedo. No sobe e desce das ladeiras, chego a Feira do Largo de Coimbra e seu artesanato em pedra-sabão. Ao lado, a Igreja São Francisco e as serras ao fundo.Uma parada no Museu da Inconfidência e avisto a Praça Tiradentes, quem seriam aqueles: turistas, moradores da cidade, estudantes das repúblicas ouro-pretanas, viandantes?

Um café com broa de milho marcou minha despedida e no caminho de volta para Belo Horizonte, o Pico do Itacolomy me fazia companhia na viagem.