Dia desses, me deu vontade de escrever sobre o quarto e me veio a lembrança de que na adolescência, esse é um dos lugares preferidos das pessoas, talvez por remeter à privacidade e à intimidade, tão vivenciadas nessa fase da vida.

Depois que a gente cresce, em meio aos dias agitados da rotina, às vezes só vai ao quarto para dormir, depois de um dia intenso e literalmente "capota", expressão gostosa das terras interioranas, que aprendi já nem sem mais quando, do tanto de tempo que faz.

Eu lembro dos murais de fotos que colocava no meu quarto, quando era adolescente, recordações de momentos bons. Também me chegam imagens de uma escrivaninha que esperei com muita expectativa, foi feito o pedido e houve um intervalo de tempo entre a compra e sua chegada em casa.

Como eu gostava daquela escrivaninha, era um canto meu no mundo, ela ainda resiste, agora está aos cuidados de uma prima, muito querida, na casa onde eu morava no sertão.

E agora em tempos de quarentena, em que os os cômodos da casa passaram a ser o nosso universo simbólico e real, o quarto aos poucos vai ganhando uma nova tonalidade afetiva, quem sabe ver uma série, um filme ou ouvir música. Uma soneca a tarde também massageia a alma e faz vibrar outra frequência, no ritmo da leveza.

O que o quarto representa para você?