Que o cantar dos galos no amanhecer é poético, isso o saudoso poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto já nos disse com maestria e leveza, eu gosto de acordar com o cantar desses seres que tecem a manhã, nas palavras do escritor.

Ocorre que já faz umas duas semanas que tenho escutado galos nas primeiras horas do dia e também em outros momentos, às vezes um canto sem hora marcada nos presenteia os ouvidos. Esse texto está na minha cabeça desde hoje de manhã, o galo não sai da minha imaginação, pedindo que a ideia vire crônica, obra materializada.

Os galos me lembram o amanhecer na roça, o sol despertando nas colinas, entrando pela janela, aquela luz cor de aurora tocando os olhos, batendo na pele, aquecendo o coração, dando sentido à vida, é mais um dia, desperta.

Os galos e as reminiscências da Boa Vista, o bairro belo e central do Recife, durante quase uma década morei lá e esses seres cantantes também davam o ar da graça, provavelmente em algum quintal de casa velha.

Então, mas e vocês, tem escutado esse galo, morador do nosso bairro? onde ele deve residir? são perguntas que me chegam. Por hoje, só queria agradecer a ele, por trazer felicidade ao cotidiano. Obrigada pelo canto.Que ele ecoe pelo mundo e seja luz.