Acordar no tempo que o corpo desperta, sem sinais artificiais, despertadores, relógios, pessoas chamando, a cabeça pede descanso, depois um banho, morno de preferência, apesar da quentura, em pleno verão.

Ler o jornal na varada embalada pela cadeira de balanço, companheira fiel nas horas. O que restou da cidade depois do carnaval? Quais as revelações do horóscopo para o seu signo hoje? O caderno de cultura atiça a curiosidade e os sentidos.

Cruzar o portão de casa, as ruas desertas, pessoas viajando no final de semana, outras ainda embaixo das cobertas. Encontrar três cachorros passeando e uma jovem mãe com um bebê tomando banho de sol, vitamina D faz bem para o crescimento, a pele fica corada, criança saudável.

Uma velha carrega as compras do supermercado, traz nas mãos sacolas pesadas num ritmo de quem já viveu muito e hoje caminha no seu próprio pulsar.

Os pais levam os filhos para tomar café da manhã nas padarias, hábito que se desenha no cotidiano da cidade, jeito de bem nascer o dia. Acordar as narinas e o paladar e fazer cafuné nas barrigas, depois da noite de sono as lombrigas ficaram com fome.

As cigarras, suas vizinhas invisíveis berram aos quatro cantos permanecemos aqui, apesar de, apesar de. E as folhas silenciosamente flutuam, chegada a hora de sair dos galhos e renovar as árvores nas quais fizeram morada. Segue o ano.