Numa das preciosas pausas da semana, eu estava contemplando a decoração natalina de um dos shoppings da cidade e vi a cadeira do Papai Noel vazia, com esse recado: “Queridas crianças estamos enfeitando e carregando os presentes para o trenó e ainda temos muito trabalho aqui no polo norte. Estou muito feliz e a partir do dia 01 de dezembro, estarei aí para receber todos os seus pedidos”.

Eu achei gentil da parte de quem escreveu, afinal de contas as crianças ávidas por tirarem fotos com o personagem podem estranhar a ausência dele, embora ainda estejamos em novembro. Eu tenho uma fotografia sentada no colo dele, da época em que não sabia escrever, registrada na escola.

Nos últimos dias, vi seu trenó sendo puxado por renas no muro de um dos arranhas-céus dessa terra tropical e em outra dessas construções da nossa civilização, li o desejo de boas festas estampado nas paredes. Enxerguei o topo de uma árvore de natal num prédio de... não deu para contar o número de andares. Da varanda de casa, também comecei a ver tímidas luzes acenderem na Beira Rio, quando o dia vai embora. Sentada no terraço do prédio, ouvi umas mulheres conversando: eu queria uma árvore de natal para colocar na sala da minha casa. Eu mandei fulana comprar por vinte e quatro reais.

Coincidência ou não, encontrei umas barbas de papai noel, quando estava andando a pé na Conde da Boa Vista. Eu e minha geração dos quase trintando, dávamos esse nome a uma pluma que tinha uma semente no meio, até hoje eu não sei o nome. Esse ser? que voava pelos ares do sertão, no início dos anos 90, parece um dente de leão, mas não é. Rezava a lenda que podíamos fazer um pedido e sei que fiz muitos, mas não lembro mais. Os vizinhos da rua em que rebentaram e caíram meus dentes de leite gostavam de fazer os pequenos felizes e pagaram a um papai noel que entregou as lembranças compradas pelos pais.

Eu também fui contagiada pelos ares de fim de ano e comi panetone. Os ritos que permanecem, apesar de, apesar de, resistem.