Estava pensando sobre o que iria escrever essa semana sobre nosso bairro, ainda sem um tema definido, o movimento de pensar sobre compõe o processo da escrita criativa que busco exercitar a cada dia.

Ocorre que estava sentada na mesa do restaurante que nutre as barrigas do povo lá de casa, decidi ficar um pouco mais, depois do almoço, atualizando as novidades das redes sociais, esse hábito nosso, moradores do século XXI.

Já era próximo às duas horas da tarde, na minha distração cotidiana, vejo uma senhora de cabelos brancos curtos, esbaforida, pedir licença ao proprietário e sentar-se na cadeira. Imediatamente a reconheci, era minha vizinha, por sinal uma adorável pessoa.

Fui em sua direção e começamos a conversar, um pequeno parênteses para dizer que eu adoro os bons papos com ela, poderia ser minha avó, sou do tipo que ama amizades intergeracionais e aprendo muito com pessoas de mais idade. Ela, que também é caminhante como eu, anda sempre a pé e naquele momento precisou sentar um pouco, cansada que estava depois do percurso.

E eu, depois do encontro, fiquei pensando que já fazia um mês que não conversávamos, embora goste muito da prosa com ela e às vezes na correria besta da vida, a gente esquece de fazer o que aprecia e muitas das melhores coisas da vida, acontecem de forma despretensiosa, geralmente nas pausas, como esse encontro que rendeu a crônica da semana. Obrigada vizinha.