Traga o presente de natal do jardineiro, frase que escutei quando fui a um parque público da cidade essa semana:

-O senhor está plantando mudas novas? Eu lembro das antigas, estavam secas.

-Sim e dessa vez, vão vingar, pois vou cuidar.

Emendou o pedido, depois de dizer essa última frase e eu fiquei sem palavras, mas me comprometi em levar algo, ainda não sei o quê.

As caixinhas de natal também se multiplicam, outro dia depositei uma contribuição na barraca de um rapaz que vende batatas-fritas, próximo ao Pátio do Carmo, no centro da cidade e depois fui comprar um pisca-pisca. O vendedor me explicou que era de led, pensei: a tecnologia já chegou ao Natal. Ele batizou os com lâmpada menores: formiga e os maiores: grão de arroz. Fiz questão de anotar esses nomes na agenda e achei de uma sabedoria, aquela propaganda; os anos de ofício e a experiência que trazem, a simplicidade em nomear as coisas.

Também disse que as lâmpadas de led não queimavam, porque segundo ele, antigamente quando uma luz vermelha pifava, o pisca-pisca não funcionava mais e as pessoas, com raiva, jogavam no lixo e me fez lembrar os piscas-piscas com algumas luzes sem acender, que sempre apareciam nos natais lá de casa. E a gente mudava de posição para ver se funcionavam e nada.

Já vi a decoração natalina mais presente em outros anos, mas algumas ruas já estão decoradas e outra vez fui pega pelas palavras:

-Olha, Miguel, as luzes do Natal se acendendo.

Era a babá de uma criança de colo, lhe mostrando a decoração de Natal na árvore, no final de tarde e eu passava por essa rua perto de casa. As luzes dentro dos lustres de garrafa peti se uniam à iluminação amarelo-crepúsculo, típica dessa hora do dia.

Tem motoristas e cobradores vestidos com o figurino natalino em ônibus enfeitados, cartas enviadas aos Correios para papai-Noel, que pode ser visto escalando as varandas dos edifícios, pendurado em cordas, pequenas escadas ou como a imaginação inventar. Nos últimos dias do ano.