Faz um ano que saí de sua casa e fui morar em outros endereços, alguns conhecidos, outros não. Sua presença, poeta, também faz morada nesses lares, querer saber onde estou, tem ares de mistério.

Eu, como livro, tenho vida própria, desde que saí de sua imaginação e também depois que deixei a gráfica onde tomei forma e virei livro, a partir daí, percorri muitas estradas, ganhei forma, matéria, no Rio de Janeiro. Sim, eu sei que você adora o Rio, aquele canto poético do mundo. Uma editora com nome igualmente poético me deu vida no papel: Confraria do Vento, percorri milhas aéreas no céu, do Rio a Recife, de mar em mar Atlântico e cheguei em sua casa, na beira do rio Capibaribe, no bucólico bairro das Graças.

Desde o lançamento, até hoje, foram muitas histórias. Aquele três de outubro na praça do Derby, num velho casarão, foi sua estreia como escritora com livro publicado, a primeira publicação até os trinta anos, como você queria.

Depois fomos a bienais, a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco e a Bienal do Livro do Sertão, em Salgueiro-chão, sua cidade natal, um presente dos deuses e deusas. Passeamos juntos em feiras do livro e de leitura, na Feira Nordestina do Livro, Fenelivro e na Flipo, na casa rosa da rua de Santana, sede da União Brasileira de Escritores, UBE. Também fomos à feira de leitura no Centro de Educação da UFPE.

Você também me levou para o universo da Arteterapia, na Traços, onde você estuda e no início desse ano, fomos à terra da que é berço imortal da poesia popular, São José do Egito, lá no seu sertão, só que é o do Pajeú, fomos para a festa de Louro. Um total de oito lançamentos, nas trilhas do caminho, poeira e poesia nas estradas.

Fomos às rádios de sua cidade natal, Salgueiro-chão e de Recife, eu fui matéria em dois dos jornais mais conhecidos da cidade, Jornal do Comércio e Diário de Pernambuco. Eu viajei de novo e fui às montanhas, em Minas: Belo Horizonte e Ouro Preto. Isso tudo em outubro e novembro do ano passado, meses de muita emoção na minha vida de livro.

Em Minas, ganhei novas moradas, na biblioteca da UFMG, na biblioteca do estado na praça da Liberdade, aquele recanto que (re)abriu seus canais sensíveis para a escrita, onde você costumava ir quando passou uma temporada em Minas. Também estou num antiquário muito especial, nas ladeiras de Ouro Preto, na casa de um velho sábio, amigo Chiquitão. Em Pernambuco estou na biblioteca da UFPE, livrarias, nas ladeiras de Olinda e em outros lugares que você nem sabe.

Um dia te preguei uma peça e você descobriu, numa busca que fez com seu nome na internet que ganhamos voto de aplauso na Assembléia Legislativa de Pernambuco, ALEPE.

Pois bem, um ano de fortes emoções, isso porque nem tudo está aqui e esse ano, no início da pandemia, você fez uma live-recital comigo.

Mas, agora vamos falar das fotos que os leitores te enviaram: Zélia e Tony com O coletor na sombra de uma bela plantinha, Amanda com O coletor em sua mesa de cabeceira, Suely, Clara e Ernestina com O coletor ao lado de um jarro com flores na mesa.

Fatima com O coletor em sua estante, Antonio com O coletor no trem, nas terras europeias e Tito e Lola posando com O coletor, queridos animais de estimação. Também vale falar nas promessas de foto, até hoje você espera a foto de O coletor no algaroba, árvore que povoa o seu alto sertão.

Vejam em quantos lugares estamos, e que venham mais histórias, mais estradas, espalhando a poesia nos lugares áridos e férteis, descobrindo rincões, oásis e encantando-se com as paisagens.