O ser humano (alguns deles), com o ritmo acelerado que se acostumou a levar, constrói ilhas de calor habitadas por arranhas-céu, isola as varandas de apartamento para se livrar do barulho, que é fruto do que plantou: o crescimento das cidades ocasiona muitos ruídos.

Fui pesquisar e descobri que o nome disso é envidraçamento/fechamento de varadas. Para mim, as varandas lembram os antigos jardins das casas, não consigo entender por que fechá-las. Além disso, o ser humano torna o trânsito seu antônimo, pois ao invés de ser lugar de fluxo, passou a ser estático. Tudo isso para chegar sabe-se lá onde. Ao invés desse crescimento sem limite, eu desejo um futuro verde, com mais árvores, sons de pássaros e menos buzinas.

O gosto por áreas ao ar livre, me levou num domingo de setembro, ao Jardim do Baobá, às margens do Capibaribe. Havia visto a divulgação na internet de um píer que foi instalado no rio e conseguiram fotografar uma capivara em cima dele, aguçando minha vontade de ir.
O píer permite que se estabeleça uma relação mais próxima entre mim-rio e para cada pessoa-rio são estabelecidas ligações e sensações diversas. Dá para interagir com a vegetação, com as águas, é diferente de estar olhando de fora. O píer também permitiu estabelecer uma ligação eu-outro-rio, no qual esse outro era o meu vizinho, que também estava no Jardim do Baobá.

Ele olhou para mim, demorou alguns instantes para reconhecer e falou: vizinha? Eu respondi dizendo que sim. Conhecer os vizinhos acabou se tornando algo raro nesses tempos, então encontrá-los no domingo a tarde é uma surpresa alegre.

Entre uma conversa e outra, ele lembrou-se que estava me devendo uma planta. Numa ocasião, havia me dado um cróton, mas segundo ele, a planta morreu, pois não soube cuidar dela. Ele não sabe que estou em processo de aprendizagem no trato com os vegetais.

Meu vizinho disse que estava ali com toda a família. Após eu ter visto tantas pessoas, sentadas no píer conversando, outras se expressando através de danças circulares, crianças e adultos em balançadores grandes e eu de pés descalços sentindo a grama úmida, chego a conclusão de que além de ser uma árvore centenária o baobá também tem a propriedade milenar de reunir as pessoas.

E você se dá conta que saiu num domingo à tarde, para ter contato com as coisas simples. Seria um retorno às origens? Os mais antigos da nossa árvore genealógica tinham hábitos tão singelos. Desejo mais natureza, pelo bem que ela faz em nós.