Caminhar é uma arte e eu filosofo enquanto meus pés me levam, em uma dessas experimentações, me veio uma reflexão sobre o tempo, século XXI, entre agendas lotadas e gente sempre com pressa, começo a refletir sobre como é bom, e nesses tempos pós-modernos chega a ser um luxo, passar um dia sem se programar.

Digo sem ter compromissos, nem consultas, nem obrigações a se fazer, sair pelas estradas, deixando-se guiar pela intuição e parar no lugar que tem vontade para contemplar. Falo isso, porque geralmente as horas "livres" que temos, costumam ser preenchidas com organizações domésticas,navegações nas redes sociais, então se não tivermos cuidado, as pendências, boletos e afazeres nos engolem.

A gente cresce ouvindo que quem sai na rua caminhando sem rumo, é louco, que louco que nada, é sábio, nada melhor que experimentar a liberdade nessas pequenas coisas. Numa dessas andanças, você pode ir aos correios (quem ainda hoje vai a esses lugares? eu! para colocar cartas) e lá conversar com a funcionária sobre animais de estimação, ela viu que eu tinha uma companheira a minha espera, minha cachorra Lola e iniciamos uma conversa sobre nossos doces amigos de quatro patas.

Sair caminhando pelas ruas do seu bairro numa manhã solar, aquece o coração e produz vitamina D (conheço jovens da minha idade que estão com deficiência dessa vitamina), suspeito que a vida trancafiada do século XXI é uma das responsáveis por isso.

Na caminhadas, vidas paralelas saltam em suas retinas, os taxistas jogando dominó, porque trabalhar também pode ser divertido, a avó com o neto no braço, ele ainda com vontade de estar debaixo dos lençóis, você vê as mudanças na paisagem: novos lugares, a chuva que deixou a rua molhada.

Se animou para o passeio? Lola sempre está disposta. Dê o primeiro passo.